sábado, 16 de abril de 2011

Rectificação

Em rectificação da informação noticiada pela agência Lusa, e reproduzida no Diário de Notícias, Diário Digital, jornal Sol e site da TVI24, afirmamos, ao contrário do que foi publicado, que o debate convocado para as 19h30 do dia 13 de Abril, na Cinemateca Portuguesa, não foi um debate agendado pelo Bloco de Esquerda ou por qualquer outra formação partidária, tratando-se, sim, de um encontro organizado por um movimento espontâneo e apartidário de espectadores da Cinemateca Portuguesa. 
Tão-pouco se trata de uma reacção especificamente dirigida contra cortes orçamentais. 
É, sim, um alerta para o estrangulamento da actividade da Cinemateca, nas suas dimensões de programação e restauro do património cinematográfico. 
Este é um efeito da Portaria n. 4-A/2011, de 3 de Janeiro, que submete a  “parecer prévio vinculativo dos membros do governo responsáveis pelas áreas das finanças e da Administração Pública” a “celebração ou renovação de contratos de aquisição de serviços”. 
Dada a especificidade do trabalho desenvolvido na Cinemateca, que obriga ao regular recurso a serviços externos (manutenção, legendagem, transporte de filmes, etc.), esta Portaria está já a pôr em causa a preservação do património fílmico nacional, único e irrecuperável, bem como a programação de cinema. 
O sinal visível deste constrangimento é o encerramento de uma das duas salas da Cinemateca, que se traduz em 46 sessões canceladas no mês de Abril. 

Movimento de Espectadores da Cinemateca

sexta-feira, 8 de abril de 2011

E se a cinemateca vier a faltar? E se o cinema vier a faltar?

"As imagens só existem com o fogo da projecção. Contudo, é possível queimar as imagens ao interditar a sua projecção como um auto da fé de livros."
Marcel Hanoun 

Aos muito lá de casa a quem a Cinemateca importa,

e que lamentam as 13 sessões canceladas em Março e as 46 temporariamente suspensas em Abril, os filmes que não podem ser vistos porque os cortes no financiamento e a recente perda de autonomia -imposta pelo Ministério das Finanças- comprometem o transporte regular de cópias, o habitual programa estar reduzido a pobres fotocópias e o desdobrável apenas disponível on-line, e que lamentam e temem a interrupção do trabalho de restauro e o ANIM  estar em risco e com ele todos os filmes do nosso espólio cinematográfico, por haver quem no poder ainda se pergunte se o cinema é património, a quem os filmes possam vir a faltar,
encontro marcado na Cinemateca no dia 13 de Abril, à sessão temporariamente suspensa das 19h30, para pensar em formas de acção (projecções, manifestos, ocupações) pelo cinema que, no contínuo trabalho de coleccionar, preservar, documentar e apresentar, a Cinemateca permite existir.